Anúncios para médicos: o que o CFM permite e proíbe

Anúncios para médicos no Google e na Meta: o que a Resolução CFM 2.336/2023 permite, o que as plataformas barram e como montar campanhas que agendam.

Ilustração de um celular com um anúncio de clínica médica ao lado de uma lista de verificação com itens marcados e um estetoscópio

Anúncios para médicos são permitidos, inclusive pagos, no Google e no Instagram. A Resolução CFM 2.336/2023 autoriza o médico a comprar espaço em veículos de comunicação e a usar as redes sociais para formar e aumentar a clientela, desde que o anúncio identifique o profissional e não prometa resultado. Mas existe uma segunda camada de regras que muita clínica esquece: as políticas do próprio Google e da Meta, que podem reprovar um anúncio que o CFM aceitaria.

Neste guia você vai ver, de forma prática, o que pode e o que não pode em cada lugar, exemplos de texto e um passo a passo para montar campanhas que geram agendamentos sem colocar o CRM em risco.

Médico pode fazer anúncio pago?

Pode. Antes de 2023, havia muita dúvida sobre impulsionar posts e comprar anúncios. A Resolução CFM 2.336/2023 resolveu isso de forma clara.

O artigo 13 garante ao médico o direito de comprar espaço em qualquer veículo de comunicação para fazer publicidade. O mesmo artigo permite usar as redes sociais próprias para formar, manter ou aumentar a clientela. Na prática, isso cobre:

  • campanhas de pesquisa no Google Ads;
  • anúncios no Instagram e no Facebook pelo Meta Ads;
  • vídeos no YouTube;
  • impulsionamento de posts do perfil da clínica.

A resolução também passou a permitir coisas que antes eram proibidas ou nebulosas, como divulgar o valor da consulta e as formas de pagamento (artigo 9º). Ou seja, um anúncio com "Consulta: R$ 350, aceitamos Pix e cartão" é permitido.

O que não mudou é a essência: publicidade médica deve informar, não iludir. É aí que entram as vedações.

O que a Resolução CFM 2.336/2023 exige em todo anúncio?

Antes de pensar em segmentação ou verba, confira se a peça traz as informações obrigatórias. Segundo o artigo 4º, todo anúncio precisa ter:

  1. Nome do médico e número do CRM, acompanhados da palavra "médico".
  2. Especialidade com RQE, quando o anúncio citar uma especialidade registrada.
  3. Em anúncios de clínica, nome e CRM do diretor técnico-médico (artigo 5º).

Nas redes sociais, o artigo 6º pede que esses dados fiquem na página principal do perfil. Por isso, revise a bio do Instagram da clínica antes de subir a primeira campanha. O anúncio leva a pessoa até o perfil, e o perfil precisa estar em ordem.

Em anúncios do Google, que têm pouco espaço, uma solução comum é colocar nome, CRM e RQE na landing page de destino, em local visível, e usar o recurso de texto do anúncio para o essencial. Se o seu caso for mais complexo, vale confirmar o formato com a assessoria jurídica ou com a comissão de publicidade do seu CRM regional.

O que é proibido em anúncios para médicos?

Aqui está o que mais reprova campanhas na fiscalização dos conselhos. O artigo 11 da resolução veda, entre outros pontos:

  • garantir, prometer ou insinuar bons resultados do tratamento;
  • sensacionalismo e autopromoção, como se apresentar como "o melhor" ou usar termos como "revolucionário";
  • anunciar atendimento gratuito no consultório particular;
  • promoções ligadas a venda casada ou premiações, como sorteio de procedimento.

O uso de imagens tem regras próprias, no artigo 14:

  • imagem de paciente só com finalidade educativa e com autorização;
  • é vedado identificar o paciente em imagens de procedimentos;
  • é proibido editar, manipular ou "melhorar" as fotos;
  • antes e depois deve vir em conjunto de imagens, com texto educativo sobre indicações e evolução;
  • depoimentos de pacientes devem ser sóbrios, sem adjetivos de superioridade.

Atenção a um detalhe: se o médico repostar o comentário ou vídeo de um paciente, aquilo passa a ser considerado publicação dele (artigo 8º). Um depoimento empolgado repostado nos stories conta como anúncio do médico.

Para revisar uma peça em dois minutos, use o nosso checklist de publicidade médica, que traz as 12 perguntas mais importantes da norma.

Meta Ads para médico: o que a plataforma barra além do CFM?

Muita clínica escreve um anúncio dentro das regras do CFM e mesmo assim tem o anúncio reprovado no Instagram. O motivo costuma ser a política de atributos pessoais da Meta.

A Meta não permite anúncios que afirmem ou sugiram que a pessoa que está vendo tem uma condição de saúde física ou mental. O anúncio deve falar do serviço, não do problema de quem vê. Os próprios exemplos da Meta deixam isso claro: "Novo tratamento de diabetes disponível" é aceito; "Você tem diabetes?" é proibido.

Veja como isso se aplica no dia a dia de uma clínica:

Evite (reprova na Meta) Prefira (aceito)
"Você sofre com enxaqueca?" "Consulta com neurologista para avaliação de dores de cabeça"
"Cansado da sua acne?" "Dermatologia clínica em Goiânia. Agende pelo WhatsApp"
"Seu filho tem dificuldade para dormir?" "Atendimento em pediatria com horários aos sábados"
"Está acima do peso?" "Conheça o acompanhamento com endocrinologista"

Repare que a versão aceita também conversa melhor com o CFM: é informativa, sóbria e não promete nada.

Como segmentar anúncios para médicos no Meta Ads?

Para clínicas, a segmentação mais eficiente costuma ser geográfica: um raio ao redor do consultório, com idade compatível com o público da especialidade. Interesses amplos e o público aberto, deixando o algoritmo trabalhar a partir das conversões, tendem a funcionar melhor do que tentar adivinhar condições de saúde, que a plataforma não oferece como opção de segmentação.

Os formatos que mais fazem sentido:

  • mensagens para o WhatsApp, para quem quer agendar conversando;
  • vídeos curtos do médico explicando um procedimento, que educam e geram confiança;
  • carrossel da estrutura da clínica, recepção, equipe e equipamentos, o que a resolução permite mostrar.

Google Ads para médicos: o que muda na pesquisa?

O Google é onde o paciente já está procurando: "dermatologista perto de mim", "ortopedista Unimed Goiânia", "exame de vista sábado". Por isso a campanha de pesquisa costuma ser o primeiro investimento de uma clínica.

Três cuidados específicos para a área da saúde:

1. Remarketing e listas de clientes são restritos

O Google classifica saúde como categoria sensível. Pela política de segmentação restrita na publicidade personalizada, quem anuncia produtos e serviços de categorias sensíveis não pode usar públicos-alvo selecionados pelo anunciante, como listas de remarketing, listas de clientes e segmentos personalizados. Os públicos predefinidos do próprio Google continuam disponíveis.

Na prática: a estratégia de "perseguir" quem visitou o site, comum em outros segmentos, fica muito limitada para clínicas. O foco tem de estar em aparecer bem na busca certa.

2. Palavras-chave negativas economizam muito

Buscas como "sintomas de", "o que é", "remédio caseiro" ou "residência médica" trazem curiosos e estudantes, não pacientes. Uma boa lista de palavras-chave negativas evita pagar por esses cliques.

3. O texto do anúncio segue as mesmas regras do CFM

Nada de "o melhor cardiologista da cidade" ou "resultado garantido". Use o espaço para o que ajuda o paciente a decidir: especialidade, bairro, convênios aceitos, horários e forma de agendamento.

Google ou Meta: onde a clínica deve começar?

Depende do tipo de procura pela especialidade. Uma comparação simples:

Situação Melhor ponto de partida Por quê
Paciente com dor ou necessidade urgente (ortopedia, oftalmologia, pediatria) Google Ads A pessoa pesquisa na hora em que precisa
Procedimentos eletivos que exigem confiança (dermatologia, cirurgia plástica) Meta Ads, com apoio do Google O vídeo educativo constrói confiança antes da decisão
Clínica nova no bairro Google Ads e Perfil da Empresa no Google Aparecer no mapa e na busca local
Clínica com agenda ociosa em horários específicos Meta Ads Permite divulgar horários e chamar para o WhatsApp

Se quiser um aprofundamento nessa escolha, leia o comparativo Google Ads ou Meta Ads.

Passo a passo para montar anúncios para médicos que agendam

Na M8, trabalhamos com um método em cinco etapas: Planejamento, Execução, Monitoramento, Aprendizado e Escala. Para clínicas, ele fica assim:

  1. Planejamento. Definimos especialidades e procedimentos prioritários, região de atendimento, convênios e a margem de cada serviço. Nessa etapa também revisamos o perfil do Instagram e a página de agendamento à luz da Resolução 2.336/2023.
  2. Execução. Campanhas de pesquisa no Google por especialidade, anúncios na Meta com foco em região e WhatsApp, e uma landing page com nome, CRM, RQE e diretor técnico visíveis.
  3. Monitoramento. Acompanhamos diariamente o custo por contato e, principalmente, quantos contatos viraram consulta marcada. Clique barato que não agenda não interessa.
  4. Aprendizado. Testamos textos, horários e criativos. Um vídeo do médico explicando o procedimento costuma ser comparado com fotos da estrutura, por exemplo.
  5. Escala. Quando uma especialidade ou campanha mostra um custo por agendamento saudável, ela recebe mais verba.

Sobre investimento: na M8, trabalhamos com verba de anúncios a partir de R$ 2.000 por mês e contrato mínimo de 3 meses, tempo necessário para as campanhas aprenderem e os dados ficarem confiáveis. Para estimar a verba da sua clínica, use a calculadora de tráfego pago.

Erros comuns que vemos em contas de clínicas

  • Anúncio levando para a página inicial do site, sem botão claro de agendamento.
  • Bio do Instagram sem CRM e RQE, mesmo com anúncios rodando.
  • "Avaliação gratuita" como chamada principal, o que a resolução veda no consultório particular.
  • Antes e depois sem texto educativo ou com filtro.
  • Nenhum controle de quantos contatos do WhatsApp viraram consulta.

Perguntas frequentes

Médico pode anunciar no Instagram?

Sim. A Resolução CFM 2.336/2023 permite publicidade nas redes sociais próprias, inclusive paga. O anúncio precisa trazer nome, CRM e, se citar especialidade, o RQE, e não pode prometer resultado.

Posso divulgar o preço da consulta no anúncio?

Pode. O artigo 9º permite informar valores de consulta, meios e formas de pagamento. O que é vedado é vincular promoções a venda casada ou premiações.

Posso usar antes e depois em anúncios para médicos?

A resolução permite com caráter educativo: conjunto de imagens, sem identificar o paciente, sem edição e com texto sobre indicações e evolução. As políticas da Meta também têm regras próprias para procedimentos estéticos, então revise as duas antes de anunciar.

Por que meu anúncio de clínica foi reprovado na Meta?

O motivo mais comum é o texto sugerir que quem vê tem uma condição de saúde, como "Você sofre com...?". Reescreva focando no serviço oferecido e peça uma nova análise.

Quer anúncios para a sua clínica dentro das regras?

Anunciar na área da saúde exige dois cuidados ao mesmo tempo: seguir o CFM e entender as regras de cada plataforma. A M8 é Google Partner e Meta Business Partner e cria campanhas de marketing para médicos e clínicas pensadas para gerar agendamentos com ética. Se você atua em outra área regulada, veja também como funciona o Google Ads para advogados.

Peça um diagnóstico gratuito das suas campanhas e veja por onde começar.

Rerisson

Por Rerisson

Cofundador da M8 Marketing, head de operações e estrategista digital.

Marketing para empresas que querem crescer.

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Sede
Edifício Terra Office, Av. C-4, 931, Salas 2503 A e 2504 A, Jardim América, Goiânia - GO

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